Há muito não leio nada. Talvez desde a época que li “Com a boca na botija”, na 3ª série do jogral, que não fico tanto tempo afastada deles. Não por descuido, mas pelas coisas da vida que tem me absorvido. E essa vontade estranha de escrever que tomou conta de mim, de me mostrar em minha mais pura essência (se é que isso existe, me refiro a ‘pureza’). Me deixando ser desnuda por vocês, leitores invisíveis (ou melhor, amigos imaginários da fase adulta). Volto a falar aqui da minha penosa estada longe dos livros e da escrita. Cada leitura ou momento dedicado a escrita era a certeza do sofrimento. E meio, que displicentemente, me distanciei dessas delícias.
Mais sobre os amigos imaginários:
Sim, amigos imaginários. Talvez, você não seja tão amigo assim, e diga:
- Oras bolas, que louca!
De cá, a observa-te rirei de você, e a minha felicidade bastará como resposta.
- Como ousas? Caçoas de mim? – indigna-se.
- Não, meu meio-amigo, penso apenas que deveria experimentar ganhar asas, assim mesmo bem clichê. – respondo com um sorriso simpático tentando convencê-lo.
- Além de louca, tenta me levar ao suicídio?
- Pena, querido, se habituou a andar com os pés nos chão e, se esquecerá de dar asas à alma.
- Que asas? Que alma?
- Tudo aquilo que teima em não ver, todo o universo que há entre o ceu e o inferno.
(depois continuo a conversa, pois o trabalho me chama)
PROA
O sonho é meu pastor, nada me faltará.
Que venham as tormentas, que venha o que vier,
tenho o sonho comigo, o sonho é meu pastor.
O mundo da aparência não me engolirá.
Conheço bem suas manhas, meu ofício é interior:
girassol que é girassol tem proa pro amanhecer.
O sonho é meu pastor, nada me faltará.
Com ele eu teço o mundo, reinvento a via-láctea.
Mistérios são bem-vindos, o sonho é meu pastor.
Ou eu busco a verdade ou ela não me achará.
Minha verdade, o sonho, é pomar e é brasão.
Seu universo, os versos, fio do sim e do não.
O sonho é meu pastor, nada me faltará.
Encontro nele a luz, meu alimento e cor.
Que escorra a ampulheta, o sonho é meu pastor.
(Armazém de ecos e achados - Edival Perrini)
eperrini@onda.com.br
)
Um comentário:
Interessante o diálogo com seu amigo imaginário....
Aquela conversa comigo e Denis aqui em casa teve uma pontinha de influência nesse seu post sobre leitura, né??
Beijo!
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